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Manifestação pela vida
1º de novembro
Dia Internacional Vegano
Vegetarianismo Ético, sem carnes, ovos e laticínios
Concentração na Av. Paulista (vão livre do Masp) quarta-feira, 1º de novembro de 2006 a partir das 17h


Pela sua saúde, pelo planeta, pelos animais, seja Vegano!

Mais informações pelos sites: www.vegetarianismo.com.br
ou www.taps.org.br


Contatos:
Julio - juliomancha@uol.com.br
ou Juninho - jjuninho@gmail.com

























No dia 1º de novembro comemora-se o Dia Internacional Vegano, que celebra o estilo de vida das pessoas estritamente vegetarianas, isto é, aquelas que não consomem produtos de origem animal (nenhum tipo de carne, ovos, leite e laticínios, além de produtos de vestuário como peles, couro e camurça). O estilo de vida vegano também condena a exploração de animais para experiências em laboratórios, e para o entretenimento humano em circos, zoológicos e rodeios. Nós, veganos, acreditamos que seja possível viver em harmonia com os animais, sem causar-lhes sofrimento para atender a desejos mesquinhos de nossa espécie.
A cada dia que passa, ouvimos falar mais e mais sobre vegetarianismo. Revistas, jornais, programas de TV, nesses últimos tempos, têm amplamente publicado sobre este assunto polêmico. Quase sempre, as discussões giram em torno da questão da saúde. Porém, há muitas outras razões, além da saúde, para que comecemos a considerar seriamente uma mudança em nossos hábitos na direção do vegetarianismo.



Saúde
Não é à toa que a questão da saúde se coloca como uma das principais razões para que as pessoas tornem-se vegetarianas hoje em dia. Cada vez mais nossa sociedade está enfrentando os males do consumo excessivo dos produtos de origem animal. Isso porque tal consumo nem sempre se deu como acontece hoje. Embora o ser humano, em muitas sociedades, tenha sempre consumido carne e produtos animais, isso nunca aconteceu na escala em que vivenciamos hoje. Alguns séculos atrás, um pedaço de carne na mesa era um prato que apenas uma pequena classe bastante abastada de pessoas poderia ter acesso.
Contudo, a industrialização da criação animal, apoiada por subsídios governamentais, barateou os custos de produção de produtos de origem animal. Isso aumentou muito o consumo desses produtos, e os resultados na saúde humana podem ser notados por quem quiser ver: ataques cardíacos, enfartos, hipertensão, entre outras doenças cardiovasculares fortemente motivadas pelo consumo excessivo de produtos animais, estão entre as principais causas de morte por doenças nos dias atuais.

O famigerado colesterol, tão falado na área da saúde, é obtido principalmente por produtos de origem animal, ricos em gordura saturada. Muitos médicos adotam como medida preventiva, em caso de suspeita de doenças cardiovasculares, uma diminuição drástica no consumo de carnes e outros alimentos gordurosos. É sabido hoje pela maioria das pessoas que o consumo de alimentos vegetais contribui para o controle do colesterol, não apenas porque esses alimentos carecem das gorduras que se transformam em colesterol ruim, mas porque muitos vegetais têm nutrientes que ajudam a diminuir nossas taxas de colesterol ruim no sangue.
Apesar dos benefícios hoje conhecidos dos alimentos vegetais, não só pelos médicos, mas também pelas pessoas comuns, criou-se um curioso mito de que precisamos de carne e outros produtos animais para sermos saudáveis. Isso está longe de ser verdade. Hoje em dia, por exemplo, com uma alimentação típica, as pessoas consomem muito mais proteína do que deveriam, o que lhes causa problemas sérios como ácido úrico, pedra nos rins, osteoporose e constipação. Uma alimentação vegetariana balanceada, que inclua grãos, cereais, legumes, frutas e hortaliças é capaz de suprir as proteínas e os demais nutrientes necessários ao nosso bem-estar, sem que precisemos ter uma preocupação toda especial.



Meio-ambiente
Para agravar ainda mais a situação, os produtos de origem animal não nos tornam doentes apenas por dentro, mas também por fora: eles estão degradando o meio-ambiente numa escala assustadora. Os animais criados para fornecerem carne, ovos e laticínios aos seres humanos consomem uma quantidade imensa de vegetais que poderiam nos servir diretamente de alimento. Se consumíssemos os grãos que cultivamos em vez de dá-los aos animais, a escassez mundial de alimentos desapareceria praticamente da noite para o dia. Para se ter uma idéia, 100 acres de terra produzem carne para 20 pessoas, mas trigo suficiente para alimentar 240. Pesquisas bastante sólidas mostram que seria impossível o planeta fornecer alimento para toda a população humana, se em todos os países as pessoas tivessem uma alimentação semelhante à da Europa e dos EUA – repleta de produtos de origem animal.

A demanda elevadíssima de vegetais destinados à alimentação dos animais tem gerado uma diminuição drástica das florestas no mundo. Metade das florestas tropicais do planeta foi queimada e substituída por pastos para gado de corte. Em alguns casos, é verdade, as queimadas das florestas são feitas para produção intensiva de soja; contudo, o que as pessoas não sabem é que isso só acontece porque grande parte da produção de soja está sendo destinada, não aos humanos, mas aos animais que consomem por ano, toneladas e toneladas desse grão na forma de ração. Os resultados desse quadro para o meio-ambiente são terríveis: cerca de 1000 espécies nativas dessas florestas estão sendo extintas por ano; 20% dos gases produzidos nas queimadas contribuem para o aumento do efeito estufa; milhares de plantas com propriedades nutricionais e medicinais em potencial são varridas do mapa; entre outras conseqüências.

A quantidade de água potável também está diminuindo drasticamente com o aumento da criação animal, precisamente no momento em que os analistas mais chamam a atenção para o problema da escassez de água – possivelmente o problema ambiental número 1 deste novo século. Para produzir ½ kg de carne, são necessários 9.463 litros de água, ao passo que para produzir a mesma quantidade de trigo, apenas 94 litros são utilizados. Se a indústria de carne americana, por exemplo, não fosse sustentada pelo contribuinte, que paga grande parte da água consumida no país, a carne simples para hambúrguer nos EUA custaria cerca de 70 dólares por quilo. Além disso, a indústria da carne polui a água mais do que todas as indústrias de outros ramos juntas, uma vez que os animais criados para corte produzem 130 vezes mais excrementos do que a população humana inteira. Para se ter uma idéia, um abatedouro suíno típico gera excrementos equivalentes a uma cidade com 12.000 habitantes.
Assim, com a manutenção da criação animal, utilizamos recursos naturais e produtos agrícolas preciosos para a produção de vários tipos de carnes, frios, ovos e laticínios. Nesse processo, não apenas desperdiçamos nutrientes como proteínas, carboidratos, fibras e vitaminas, mas deixamos um rastro de destruição com a poluição do ar e das águas e a devastação dos ricos ecossistemas florestais. Trata-se de uma cultura de extremo desperdício de recursos naturais que o planeta não poderá suportar por muito tempo.



Ética
Embora a nossa saúde e o nosso meio-ambiente sejam razões importantíssimas para abandonarmos o consumo de carne e outros produtos de origem animal, a razão fundamental que motiva o veganismo é a questão ética. Por séculos temos sido ensinados a ver os animais como um grupo que existe para servir a nós, humanos. Isso mostra como o ser humano está distante de seu ideal de igualdade e justiça, que preconiza a necessidade de consideração moral dos seres capazes de experimentar sofrimento e dor.

Historicamente, os humanos que estavam no poder sempre excluíram outros grupos de sua consideração ética, negligenciando o sofrimento causado por causa de interesses mesquinhos particulares. Os negros, escravizados por séculos, eram vistos como meros objetos nas mãos dos brancos europeus. As mulheres, dominadas e restringidas em sua vida pessoal e profissional, sempre foram vistas como objetos para servir ao homem. Essas noções começaram a ser questionadas mais recentemente, mas perduraram por séculos, e as seqüelas podem ser sentidas ainda nos dias de hoje. Contudo, ao menos o senso comum atualmente já não enxerga mais as minorias sexuais, lingüísticas e culturais como meros objetos para servir ao homem branco europeu. A visão em relação aos animais, contudo, continua persistindo forte nos dias de hoje, com o agravante de que, mesmo os grupos minoritários mais discriminados em nossa sociedade também participam como opressores no que concerne à exploração dos animais.

Os produtos de origem animal comprados em um supermercado atualmente são em sua maioria provenientes das chamadas fazendas industriais. Nesses locais, os animais são confinados em espaços extremamente restritos e submetidos a uma vida curta e de horrores. Mal podem se movimentar, não vêem a luz do sol, sofrem com a superlotação, são mutilados já em seu nascimento, transportados de maneira desumana, alimentados com hormônios e medicamentos e abatidos quando convém à rentabilidade de seus produtores. As fazendas rurais tradicionais que temos em nossas memória coletiva – e que são constantemente retratadas nas embalagens e propagandas dos produtos de origem animal – há tempos foram esmagadas pelo poder das fazendas industriais. A idéia dessas empresas modernas é: vamos adotar todos os procedimentos necessários para maximizar nossos lucros, não importando o quão miserável nós vamos tornar a vida dos animais.

Infelizmente, todo o sofrimento, dor e morte produzido nessas fazendas continua escondido dos olhos do público. Se as pessoas pudessem ter uma noção mínima do que se passa por detrás das paredes de uma fazenda industrial, certamente o número de veganos no mundo se multiplicaria rapidamente. É com essa esperança e confiança no bom-senso das pessoas que, nesse 1º de novembro, vimos divulgar as atrocidades que os animais têm enfrentado em benefício dos interesses mais supérfluos e triviais da humanidade.



A carne e seus derivados
É um alimento que está em estado de decomposição; contém um índice altíssimo de gordura e colesterol prejudicial à saúde; é o alimento mais associado à obesidade, doenças cardiovasculares, pressão alta, diabetes e diversos tipos de câncer. A vaca ou o porco são animais dóceis e tranqüilos, estão sempre presentes em livros infantis, brinquedos, da mesma forma que cachorros e gatos, portanto uma criança, sabendo dessas semelhanças, dificilmente comeria carne de qualquer gênero. A forma do abate também é sempre cruel, choques elétricos, pistola pneumática ou até porretadas na cabeça são os métodos mais comuns para o abate.



O leite e derivados raramente são vistos como vilões da saúde humana, mas...
O ser humano é o único mamífero da face da terra que toma leite de outra espécie. O leite de uma vaca foi feito especificamente para sua cria, que após 1 ano já é praticamente adulta. Por isso, ele possui um alto teor de gordura, hormônios e substâncias necessárias ao rápido crescimento do bezerro. Não é de se surpreender, portanto, que o leite traga tantos problemas à saúde humana, como já apontam as agudas dores de barriga dos bebês alimentados com leite de vaca. Seres humanos são amamentados pelas mães até uma certa idade, que em geral não ultrapassa os 2 anos de idade, e essa idade é adequada para o abandono do consumo de leite. Esse ciclo de amamentação acontece com todos os mamíferos e nós não poderíamos ser exceção. Toda essa artificialidade da amamentação humana com leite animal demanda uma cruel artificialidade na produção de leite pelas vacas leiteiras: nas fazendas industriais, elas têm sua estimativa de vida drasticamente reduzida de 20 para 4 anos, em vista das altas doses de hormônios e das contínuas inseminações artificiais que recebem a fim de serem mantidas prenhas, produzindo leite incessantemente.



Os ovos raramente são associados ao sofrimento animal, mas...
Apenas as fêmeas são úteis para a indústria dos ovos, de modo que os pintinhos machos são mortos ao nascer; jogados vivos em máquinas trituradoras para servirem de ração animal, asfixiados com monóxido de carbono, ou ainda jogados vivos no lixo até sufocarem. As fêmeas filhotes têm seu bico cortado com uma lâmina quente para que comam sem discernimento da quantidade de ração e para que não se biquem umas as outras na situação de estresse e superlotação em que vivem. Depois da debicagem, as galinhas são então jogadas em gaiolas do tamanho de uma capa de disco, onde passam suas vidas amontoadas ao lado de outras várias aves. As jaulas se dispõem em baterias ao longo de galpões sem janela, com luz artificial 24 horas por dia para que a produção de ovos nunca cesse. Em pouco menos de 2 anos, os animais são abatidos e transformados em ração para cães, gatos, porcos ou até mesmo para as próprias galinhas. Todos os instintos das aves, como correr, ciscar, tomar sol e construir complexas estruturas sociais são totalmente ignorados.



Do que se alimentar então?
Adotar uma alimentação vegana não é difícil; pelo contrário, é extremamente prazeiroso e fácil. Vivemos num país riquíssimo em vegetais, que incluem desde grãos, cereais e legumes, até as raízes, frutas e hortaliças. Além disso, a cada dia, novas opções de alimentos substitutivos dos produtos de origem animal estão disponíveis nos mercados, por preços cada vez mais acessíveis. Entre eles, estão, por exemplo, os leites e iogurtes de soja, o queijo de soja (tofu), a carne de soja e suas variações na forma de salsinhas, hambúrgueres, kibes e nuggets. Isso sem contar as possibilidades de massas como macarrões, pães, tortas, entre outras. Há disponíveis inúmeros livros e sites sobre nutrição vegetariana incluindo receitas e informações mais aprofundadas.

Tornar-se vegano, contudo, tem suas dificuldades quanto à décadas de hábitos em que fomos doutrinados no modo como enxergamos os animais e em que aprendemos a valorizar o produto de seu sofrimento. A mudança depende de uma atitude corajosa daqueles que desejam viver uma vida verdadeiramente ética, saudável para o corpo e para o meio-ambiente. Para alguns, essa mudança pode vir do dia para a noite; para outros, ela pode se estender ao longo de meses ou anos de re-educação. Independente disso, nunca é tarde para mudarmos nossas vidas e contribuirmos para tornar esse planeta um local mais feliz para todos.


Manifestação pela vida - 1º de novembro - Dia Internacional Vegan

Vegetarianismo Ético, sem carnes, ovos e laticínios
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